Janete Saiu Para Beber e Levou o Santo Para um Passeio.

Atualizado: 29 de jan.


Quando uma cidade é maltratada, corrompida, estuprada, escarrada e sugada por homens toscos que se acham donos dos poderes, abrindo espaço para o caos a tal ponto da cegueira infernal tomar conta de tudo que um dia já foi belo e Exaltado.


Um tempo em que seus poetas declaravam amor a sua beleza secular, onde o único medo de ir a praia era não morrer afogado ao invés de levar um tiro nas suas areias. Blocos Carnavalescos eram muitos até ser apelidada, a cidade das Lar Ursas. Cidade onde o forró sempre comeu solto, onde a pisada do Coco “Raigado” entoado, suado fez mestres. A cidade que se escutou o barulho do pife no século 19, em mistura do índio com o escravo, lá para as bandas do engenho Algodoais, esse fundado também por João Pais Barreto.


Uma cidade revolucionária com suas influências em todas as revoluções pernambucanas. Local de grandes artistas e bandas, mas a verdade é que tudo isso foi posto de forma escrota ao submundo da canalhice com seus políticos que até hoje fazem movimentos contra o povo e cultura, com pouquíssimas exceções.


Os valores históricos e culturais dessa cidade da morte onde corpos de meninos negros não importam, onde o esgoto entrar no mar com sua fedentina sem pedir licença moral e ambiental.


É no meio desse caos todo que abriga a resistência, a luta e a paixão por uma terra santa. Em um chão onde o Santo filósofo vira Roqueiro, mistura todos os sons entranhados em suas raízes, usar preto e tomar umas “brejas” com os meninos e as meninas de Pontezinha. Distrito do mangue onde da lama e do caos nasceram escritores, músicos e poetas. É também de lá que pode vim à salvação e trazer de volta o orgulho de ser Agostiniano, mesmo que de forma passageira.


A Janete chama minha atenção por vários motivos. O primeiro foi o nome que é lindo, engraçado, bem bolado e trás uma vibe massa para quem gosta de beber, seja dentro do seu limite ou não. Mesmo sabendo que o nome vem de uma referência à personagem de Charles Bukowski, no livro factótum. Até por que é na mesa de um bar ou em qualquer lugar que se possa tomar uma, que podemos questionar; até que ponto temos o controle da nossa própria vida? Ainda mais nos tempos sóbrios e sombrios que vivemos.


O som também faz meus ouvidos tremerem ao lembrar-se de coisas maravilhosas de um tempo passado, foi rei em minha estrada, o som Pernambucano. Quando em frequências moduladas da rádio de poste explodia sonoras do Frevo ao Mangue.


Gosto da logomarca, não sei se eles sabem ou não, mas a La Ursa estampada ao centro representa muito bem nossa Terra, que já foi conhecida no estado durante o Carnaval “A Terra das La Ursas” aqui já escrito. Juntamos tudo isso com suas letras de pontos sociais e a forma de exaltar a bandeira do município que nos fazem perceber que não é rock por rock, é informação e questionamento social como também deve ser o Rock And Rol.


Tomei uma valendo assistindo a Janete. Foi Domingo passado dia 21 no Estúdio Show Livre, local de bandas fodas por onde já passaram grandes nomes da cena Brasileira, uns já consagrados e tantas outras revelações. O Showlivre é uma ilha para quem gosta de uma boa sonora.

Foi sentado enfrente a TV com um copo de Cerveja na mão, que vi a Janete entrar de bandeira Azul e Branca em punho e máscara de Lar Ursa. Naquele momento senti o vento da maresia soprando tremular a minha bandeira municipal no corredor de casa. Nesse momento pude perceber o quanto ainda sou ligado a minha terra, mesmo diante de toda conjuntara imoral e social que ela carrega. E entender que ainda existe luz no fim do cano, e em um disparo cultural pode vencer os homens ditos de bem, e varrer todos de nossa terra Santa.


Obrigado A Banda Janete Saiu Para Beber.


Por mais momentos assim, pela honra e mudança que merecemos ter.



A Janete é;


Cesar Braga – Vocalista

KIn Noise – Guitarra

Eudes Correua – Percussão e Vocalista

Niel Melo – Bateria

Lenon Carneiro – Baixo

Eri Romão – Percussão

Adriano Satiro - Percussão