Morre o Último Romântico do Brega – Augusto César


Por volta dos meus 09, 10 anos escutei uma música no Rádio que aos meus ouvidos parecia uma aventura de Gulliver. Era uma história de conquista amorosa e de aventura; na minha cabeça não passava mais do que alguém escalando um corpo lindo de uma mulher. E claro, era de imediato ao ouvir o refrão da música, minha cabeça começar a trabalhar na imagem de um ser bem pequeno, subindo nas coxas de sua amada tentando chegar até um ponto que aos gritos ela pudesse ver e ouvir seu desbravador se declarando e quase morrendo por essa escalada.


Na minha imaginação era uma história de amor, como também na canção assim o é, mas de uma forma diferente, não deixa de ser uma bela história de amor, romântica, canfôna, brega e extremamente marcante em meu coração.


O início da música com uma guitarra rasgando tudo, o som do teclado, a batida da bateria é um convite para o salão de dança que só os Pernambucanos conhecem. Augusto era um cara admirável, sempre escutei essa frase de quem o conhecia.


Tive alguns contatos com ele mês passado para intermediar uma música, dele com o Dj Voltímetro Bass. Falei por telefone, conversamos e rimos da ideia dele ter uma música produzida por um DJ e no final ele falou; - Acho que vai ser bom né, interessante. E assim passei o contado dele para Voltímetro.


Meu tio que é outra lenda do Brega Nordestino, me falou a uns 40 dias atrás, que depois da morte de Reginaldo Rossi, Augusto César seria o próximo Rei do Brega, e na hora pensei; será o Imperador do Brega. O Imperador Augusto César.


Augusto viveu seus 35 anos de carreira fazendo shows e vendendo, pessoalmente, o seu trabalho em praças, supermercados e ruas movimentadas do Recife. Em uma dessas, rotinas de trabalhos incansáveis, o encontrei na porta de um mercado aqui em Casa Amarela, Apresentei-me, falei de minhas referências familiares e ele logo falou: - Cara Silvinha é minha amiga, gosto muito dela, e Limarcos é um grande irmão. Referindo-se a minha Mãe e meu tio.



Ele estava ali, trabalhando levando sua música e arte para as pessoas, já que não tinha gravadora e o seu trabalho é totalmente independente como tantos artistas por esse brasil. E que apesar de sua “fama” entre nós pernambucanos, ele fazia uma coisa que poucos artistas do tamanho dele faz, com um caixa de som, um pedestal, microfone do lado, uma maleta cheia de CD e um tecladista, ele cantava e vendia seus CDs. E depois de um papo curto, amoroso e gratificante comprei uns dois ou três Cds dele e pedi para autografar, um deles mandei para minha mãe, com uma dedicatória, fiz uma foto para registrar o momento e nos despedimos.


Hoje fico triste depois de tantas outras conversas, não concretizamos um desejo de participar de uma web-série que eu tinha no Youtube, “o Canta a Tua Aldeia”, porém satisfeito por nunca mais ter perdido o contato e falarmos vez outra.


Obrigado Augusto César por suas letras e canções que tocam nossos corações e imaginações. Descansa em paz que a luta foi grande.


Augusto César o nosso Imperador do Brega.

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