EP Ancestrais de Fernando Trezy - É o encanto que não temos dos nossos antepassados...

Atualizado: 10 de abr.



A cultura, a língua e o conhecimento dos povos Indígenas que fazemos questão de não seguir, comentar ou de engrandecer os verdadeiros donos das Américas. O que tenho visto nos últimos anos é um total descaso sobre a cultura Indígena, e até pior se vem falando de tudo que é mal e ruim sobre os remanescentes dos mais de mil povos indígenas que existiam onde hoje é o brasil.


Não saber das nossas raízes de forma correta ainda é um erro do nosso sistema de ensino brasileiro. Exaltar só os erros de uma sociedade anterior a nossa, é entender que não aprendemos nada e que também erramos tanto quanto eles e até mais. Como por exemplo, negar o massacre, o morticínio do povo indígena que aconteceu com uma colonização genocida e persiste e piora com um governo atrasado, medíocre igual ou tão cruel ao da colonização.


Conhecemos e exaltamos bem mais sobre outras religiões, mitologias e negamos a punho e ferro as nossas. Até pouco tempo atrás falar de índio era “tirar sarro”, “mangar” e ridicularizar um povo inteiro e suas tradições. Hoje eles tentam fazer isso, mas através da história e do politicamente correto. Mas para quem? Nós como uma sociedade “avançada” ou para um povo de regras, politicas, guerras, religiões e conceitos milenares e bem mais anteriores ao nosso? Enfim, herança de Portugal que nunca pediu desculpa e nem vai pedir, por que eles nos livraram dos selvagens e nos mostraram a salvação, evolução e civilidades.


Quando eu escuto um sopro igual ao o “EP Ancestrais” (Músicas instrumentais inspiradas na cultura indígena brasileira e elementos da natureza) do ano celestial de 2018, produzido inteiro de forma autoral por Fernando Trezy. Começo a perceber uma conexão com as minhas origens, já que tenho descendências indígenas do litoral Sul de Pernambuco que talvez seja Tupi ou Caétes.


É impossível não se envergonhar por não saber uma frase na língua Tupi, mas usar elas em quase tudo e não saber de onde vem, isso é mais infame do quê não saber, por exemplo, outra língua estrangeira. Ou simplesmente não entoar um cântico de antigas religiões, olhar para o céu e não saber os nomes dos deuses dessa religião ou mitologia. Mas saber quem é THOR e ZEUS deuses de outras tribos.


Saber a origem dos irmãos é conhecer de fato o que é nosso, ter esse orgulho é bem mais patriótico do que uma saudação a uma bandeira ou a um hino, é se conhecer como um “SER” de um povo supremo, anterior a civilização colonizadora.


Ao escutar “Ancestrais” bateu uma curiosidade de tentar mergulhar profundamente nesse mundo e de conhecer seus deuses sua mitologia.


A primeira faixa do EP é - A Origem do Kaapora. Dedicada ao Deus das florestas para os Nativos Tupi-Guarani.


E se procurarmos um pouco mais podemos encontrar também o Povo Ka´apor- Este povo surgiu distintamente há cerca de trezentos anos atrás, provavelmente na região entre os rios Tocantins e Xingu. Migraram, em 1870, do Pará, através do Rio Gurupi, para o Maranhão.


A Segunda Faixa - Amanayara - A Deusa da Chuva. A origem do nome Amanayara é indígena que na língua Tupi quer dizer a "Deusa da chuva" ou "Senhora da Chuva".


Amanayara era para os indígenas tupis, uma figura feminina e materna que era a responsável por trazer a chuva, importantíssima para a manutenção da floresta, de onde tiravam sustento.


Terceira faixa - Angatu Mare – Angatu, significa em Tupi, alma boa, bem estar, felicidade. Mare ou Mara, Segnifica Mar.


Quarta Faixa - Yacy (Moon Dust) Música Inspirada na Lua e na natureza.


Quinta Faixa – Eco dos Ancestrais.


Sexta faixa – Rudá - Deus do amor, para o qual as índias cantavam uma oração ao anoitecer.


As músicas todas instrumentais trazem momentos de reflexão paz, e harmonia com suas origens. Trazendo a força dos seus títulos refletindo no que escutamos, em forma de rituais, orações e contemplações com a natureza.


Essa força de reconciliação com seu “eu anterior” faz perceber, através de “Ancestrais” o quanto de tempo perdemos pela força do sistema que nos força a correr e a enxergar coisas banais e desnecessárias. Refletir sobre esse momento e o que podemos fazer para mudar a visão em relação as origens, é uma transformação que esse EP mostrou, mesmo com nossas ideias anteriores de aprender de fato a nossa língua que deveria ser a oficial – a língua Tupi Guuarani.


Fernando Trezy é dos músicos que venho admirando muito, por sua capacidade musical e humana, sua sensibilidade de entender outros povos e culturas, seja nações do passado ou contemporâneas. Suas habilidades são muitas é preciso saber que pessoas, artistas com essa sensibilidade existem e devem ser respeitados.


Fontes dos nomes indígenas:


  • portrasdonome.blogspot

  • Wikipédia

  • Super.abril.com.br

  • dicionariotupiguarani.com.br

Comente sobre o EP de Fernando Trezy.