EP Ancestrais de Fernando Trezy - É o encanto que não temos dos nossos antepassados...



A cultura, a língua ou o conhecimento dos povos Indígenas que fazemos questão de não seguir, comentar ou de engrandecer os verdadeiros donos das Américas. O que tenho visto nos últimos anos é um total descaso sobre a cultura Indígena, e até pior se vem falando de tudo que é mal e ruim sobre os remanescentes dos mais de mil povos indígenas que existiam onde hoje é o brasil.


Não saber das suas raízes de forma correta ainda é um erro do nosso sistema de ensino brasileiro. Exaltar só os erros de uma sociedade anterior a nossa, é entender que não aprendemos nada e que também erramos tanto quanto eles e até mais. Como por exemplo, negar o massacre, o morticínio do povo indígena.


Hoje conhecemos e exaltamos bem mais sobre outras religiões, mitologias e negamos a punho e ferro as nossas. E até pouco tempo atrás falar de índio era “tirar sarro”, “mangar” e ridicularizar uma pessoa, hoje eles tentam fazer isso, mas através da história e do politicamente correto. Mas para quem? Nós como uma sociedade “avançada” ou para um povo de regras, politicas, guerras, religiões e conceitos milenares e bem mais anteriores ao nossa. Enfim herança de Portugal que nunca pediu desculpa e nem vai pedir, por que eles nos livraram dos selvagens e nos mostraram a salvação, evolução e civilidades.


Quando eu escuto um sopro igual ao o “EP Ancestrais” (Músicas instrumentais inspiradas na cultura indígena brasileira e elementos da natureza) do ano celestial de 2018, produzido inteiro de forma autoral por Fernando Trezy. Começo a perceber uma conexão com as minhas, também, origens já que tenho descendências indígenas do litoral Sul de Pernambuco que talvez seja Tupi ou Caétes.


É impossível não se envergonhar por não saber uma frase na língua Tupi, mas usar elas em quase tudo e não saber de onde vem, isso é mais infame do quê não saber, por exemplo, outra língua estrangeira. Ou simplesmente não entoar um cântico de antigas religiões, olha para o céu e não saber os nomes dos deuses dessa religião ou mitologia. Mas saber que é THOR e ZEUS deuses de outras tribos.


Saber de fato a origem dos irmãos é conhecer de fato o que é nosso, ter esse orgulho é bem mias patriótico do que uma saudação a uma bandeira ou a um hino é se conhecer de fato como um “SER” de um povo supremo.


Ao escutar “Ancestrais” bateu uma curiosidade e tentar mergulhar profundamente nesse mundo e de conhecer seus deuses mitológicos


A primeira faixa do EP é - A Origem do Kaapora. Dedicada ao Deus das florestas para os Nativos Tupi-Guarani.


E se procurarmos um pouco mais podemos encontrar também o Povo Ka´apor- Este povo surgiu distintamente há cerca de trezentos anos atrás, provavelmente na região entre os rios Tocantins e Xingu. Migraram, em 1870, do Pará, através do Rio Gurupi, para o Maranhão.


A Segunda Faixa - Amanayara - A Deusa da Chuva. A origem do nome Amanayara é indígena que na língua Tupi quer dizer a "Deusa da chuva" ou "Senhora da Chuva".


Amanayara era para os indígenas tupis, uma figura feminina e materna que era a responsável por trazer a chuva, importantíssima para a manutenção da floresta, de onde tiravam sustento.


Terceira faixa - Angatu Mare – Angatu, significa em Tupi, alma boa, bem estar, felicidade. Mare ou Mara Segnificar Mar.


Quarta Faixa - Yacy (Moon Dust) Música Inspirada na Lua e na natureza

Quinta Faixa – Eco dos Ancestrais.


Sexta faixa – Rudá - deus do amor, para o qual as índias cantavam uma oração ao anoitecer.


As músicas todas instrumentais trazem momentos de reflexão paz, e harmonia com suas origens. Trazendo a força dos seus títulos refletindo no que escutamos, em forma de rituais, orações e contemplações com a natureza.


Essa força de reconciliação com seu “eu anterior” me fez perceber, através de “Ancestrais” o quanto de tempo perdemos pela força do sistema que nos força a correr e a enxergar coisas banais e desnecessárias. Refletir sobre esse momento e o que posso fazer para mudar minha visão em relação as minhas origens, é uma transformação que esse EP me mostrou, mesmo com minhas ideias anteriores de aprender de fato a nossa língua que deveria ser a oficial – a língua Tupi Guuarani


Fontes dos nomes indígenas:


portrasdonome.blogspot

Wikipédia

Super.abril.com.br

dicionariotupiguarani.com.br

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