A Embriaguez Dos Nossos Dias




A incerteza é o que move os mais corajosos, é a força que movimenta a ideia quando ela é apenas microcosmos de energia dentro de nossas cabeças. O mundo programado por homens que nunca foram exemplos, mas ditadores de lutas internas camufladas, apropriadas para o bem da minoria, em um esforço para centrar todos em um ato disfarçado de pluralidade.


Sair da programação universal do maldito código de Hamurabi é um ato revolucionário de liberdade, autoconhecimento, e nos da uma incerteza sobre o que é certo ou errado. O mundo se faz de louco, vomitando suas regras e matando aos poucos os sem coragem de enfrentar o desejado.


A Embriaguez da verdade que Kleiton e Kledir, trazem com a música Paixão, faz lembrar da banda Almôndegas, grupo do início da guerreira dos primos quando carnavalizam com androginismo.


O ápice do prazer é chegar de mansinho abrir um bom vinho e fugir da chuva de códigos de uma Matrix programada e cheia de vícios. É impossível escutar “paixão” e não sentir sua representatividade, sua relevância não escutar as almas apaixonadas na canção. Até na Mesopotâmia existia essa busca da evasão das regras para um estado físico e fisiológico correspondente a liberdade, em seus becos e cavernas escuras, mas tão puras quanto à realidade da claridade do dia.


Relaxar de forma plena não é tarefa fácil nem para casais duradouros, se permitir ainda é um grande tabu para muitos. A leveza dessa história pode ter muito bem o peso da verdade, sabe-se lá.


O prazer da música é justamente um ápice de uma paixão que não parece uma coisa nova, mas vivida intensamente pelos casal da música. Coisas de apaixonados que se sentem uma carne só, as garras, os sussurros, palavras que tocam alma, o coração e arrepiam o corpo de uma forma em que nada mais existe ao redor. Sem responsabilidades, toques tímidos, palavras ditas aos ouvidos ou risadas altivas de prazer rumo ao infinito.


Querer sarar na cura dos beijos, no gosto do corpo, em cada pedacinho de pele, filmando e fotografando o corpo nu. Encontrar em todos os espaços imagináveis ou não, o que existe de mais sagrado.


Causar um tsunami de prazer dentro do íntimo provocando esse encontro tectônico, quente, tremulo e de forma absurda eclodir igual ao maior de todos os vulcões, mudando a nossa geografia e transformando tudo por onde passa.


Derramando toda vontade na sala desarrumando tudo, lançando longe o tapete e invadindo o que resta de espaço, tomado conta do vácuo no ambiente. Invadir, subir lançar sobre o corpo, todo desejo contido, sabendo que o momento perfeito do mundo é dentro um do outro, na embriaguez dos nossos dias ouvindo Paixão de Kleiton e Kledir.


Foto: Kleiton & Kledir / Divulgação

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